Mensagem política de Ferreira Leite ao lado de anúncios comerciais
Está a gerar controvérsia uma página da internet com o endereço: (www.ferreiraleite.com), em que é vendida publicidade de forma ostensiva.
Marques Mendes deve ser cabeça de lista do PSD às europeias, defende Marcelo
Marcelo Rebelo de Sousa considerou, este domingo, que Marques Mendes devia ser o cabeça de lista do PSD às eleições europeias. Para o comentador político, qualquer que seja a opção de Ferreira Leite, a presidente do PSD deve avançar com um nome o quanto antes.
Se Manuela Ferreira Leite «quiser jogar arriscando», tem Marques Mendes, que é a alternativa «mais institucional», Pacheco Pereira, que dá a «hipótese de maior guerrilha politica», e Pedro Paços Coelho», considerou Marcelo Rebelo de Sousa, no seu habitual programa de comentário na RTP.
Por outro lado, continuou, se a Presidente do PSD quiser «jogar em casa» tem José Pedro Aguiar Branco, que «voa menos que os outros três».
Para o antigo presidente do PSD, qualquer que seja a escolha da actual direcção social-democrata, ela deve ser anunciada «rapidamente», sobretudo se o nome do escolhido não for «excepcional» e para não ter «Vital Moreira à solta». Continuar a ler…
O PSD afastou-se da sua genética
Candidatou-se à liderança contra Manuela Ferreira Leite e perdeu. Agora espera que ela desista, porque não esconde que gostaria de ser primeiro-ministro. Em entrevista à revista Pública, Pedro Passos Coelho, fala da infância, da juventude, mas também da sua queda para cantor de ópera. E de política, claro: «Sinto-me como uma alternativa à actual liderança do PSD».
Sobre o facto de continuar a falar sobre as suas ideias para o partido e para o País poder prejudicar a actual líder, Pedro Passos Coelho limita-se a sublinhar que «uma liderança forte não teme a competição no plano das ideias».
Uma visão muito fria e realista do PSD, leva-o a afirmar que, desde o fim da segunda maioria absoluta de Cavaco, o PSD «tem muita dificuldade em encontrar um rumo com que se possa apresentar ao eleitorado» e a concluir que o PSD «voltou ao Governo sem estar preparado».
Segundo Passos Coelho, o PSD dotou o País de «um hardware mais moderno. Mas depois faltou o software». «Como aperfeiçoar o Estado? Como tornar as políticas públicas mais eficientes? Como robustecer a sociedade civil? Como premiar o mérito, como tornar o sistema mais transparente, tornar a ascenção social mais justa? Como combater o amiguismo e a ineficiência, seja nas empresas privadas, seja nas públicas?». Isto ficou por fazer, diz. Continuar a ler…
PSD pode atingir «ponto de não retorno», diz Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa diz que o PSD não está no bom caminho e que se a situação se mantiver o partido poderá atingir o «ponto de não retorno». O antigo líder social-democrata considera que a imagem de Manuela Ferreira Leite não tem ajudado.
Marcelo Rebelo de Sousa admite que o PSD caminha para «um ponto sem retorno». No domingo à noite o antigo líder social-democrata disse na RTP que o partido não pode continuar a agir como até agora e que Manuela Ferreira Leite tem acertado ao lado do que é importante.
«Nos últimos dois meses e meio esteve mais tempo calada do que a falar. Quando fala, fala onde? Em estúdios de televisão ou de rádio em entrevistas e na sede do partido», afirmou o comentador.
Para Marcelo Rebelo de Sousa se a situação se mantiver vai atingir-se o «ponto de não retorno», em que o «PSD deixa de concorrer para ganhar e passa a concorrer como o PP, o PCP e o BE para tirar a maioria ao PS e perder por poucos». Continuar a ler…
Sampaio e Mello diz que PSD não tem estratégia
Convidado a comentar a mensagem de Ano Novo do Presidente da República na SIC Notícias, o ex-director do Gabinete de Estudos do PSD, António Sampaio e Mello, aproveitou para reiterar todas as críticas que tinha feito à direcção de Manuela Ferreira Leite, sobretudo a de falta de estratégia. E que, reafirmou, conduziram à sua demissão no final de Novembro de 2008.
António Sampaio e Mello sublinhou que com a sua saída do PSD, do qual não é militante, “dei um sinal ao partido de que é preciso mudar a forma como estava a trabalhar e a formular as políticas que é preciso para governar”.
O economista e professor universitário, que trabalhou com a equipa que preparou a campanha presidencial de Barack Obama, foi ainda mais contudente para a liderança de Manuela Ferreira Leite, embora nunca tenha nomeado a líder do PSD: “Quando se aposta em ganhar o poder apenas porque o poder que está apodrece, então não se tem legitimidade para governar e nem se conseguem mobilizar as pessoas para as reformas que o País necessita.”
Ou seja, o ex-director do Gabinete de Estudos, que o DN tentou em vão contactar, fez passar a ideia de que a direcção laranja tem estado paralisada politicamente à espera do desgaste do Governo do PS. O que na sua opinião é uma estratégia errada. “Quando se aposta muito que o Governo caia por si, as pessoas deixam de pensar em quem os vai substituir.” E a bem da saúde da democracia defendeu “partidos da oposição fortes” e com uma “estrutura bem definida”. Continuar a ler…
2009: o dilema do PSD
Ferreira Leite tem feito tudo para unir o PSD. Nunca responde às críticas dos seus adversários internos e fala sempre para o país.
Lendo há dias um texto de Sá Carneiro (http://www.institutosacarneiro.pt/), recordei uma frase que usava com frequência: primeiro o país, depois o governo, só depois o partido.
Esta ideia mantém-se actual e ajuda a perceber o dilema do PSD em 2009.
Nos últimos treze anos, desde a saída de Cavaco Silva em 1995, o PSD teve sete líderes diferentes; fez treze congressos nacionais, um por cada ano, em média. Esta instabilidade não deu bons resultados: o partido perdeu peso eleitoral e só esteve na chefia do governo durante pouco mais de dois anos.
Há exactamente sete meses, depois de umas eleições directas muito disputadas, Manuela Ferreira Leite foi eleita presidente com o objectivo reforçar a competência e a credibilidade do partido. Apesar dificuldades de ser oposição em Portugal, e de algum ruído interno, com esta nova liderança a voz do PSD voltou a ser ouvida, desde os temas sociais, aos investimentos públicos, passando pelo Orçamento de Estado. Continuar a ler…
O mistério de Lisboa
antana Lopes está de volta como candidato à Câmara de Lisboa. A imprensa deve estar radiante. Ao menos, a animação é garantida.
Parece que a agitação com os professores, os bancos e a crise económica, não era suficiente. Santana Lopes está de volta como candidato à Câmara de Lisboa. Estará mesmo? Só o facto de não se saber em absulto já mostra a confusão da coisa. A imprensa deve estar radiante porque, ao menos, a animação é garantida. Santana Lopes. A simples pronúncia do nome costuma provocar motins em todas as tabernas. A esquerda detesta o homem. A direita abstém-se. O PSD divide-se entre aqueles que acham que Santana manipulou sempre o partido e aqueles que pensam que foi o próprio partido que o boicotou. É um filme antigo que já vimos dezenas de vezes.
Na verdade, eu adivinho a pergunta que cada português tem na cabeça, se por acaso estiver a pensar sobre o assunto, o que é duvidoso. Como explicar que Manuela Ferreira Leite tenha assumido a liderança do PSD com uma estratégia de credibilização e mudança interna e mostra incapacidade de travar o avanço de Santana Lopes? Em que está a pensar Ferreira Leite? Onde começa e acaba o seu poder interno? Podemos achar tudo sobre Santana Lopes e a sua passagem pelo Governo. Eu até acho que o homem foi vítima de armadilhas que, infelizmente para ele, não teve oportunidade de evitar. Mas o facto é que o país disse que não estava interessado, que os tempos são outros e que Lisboa precisa dum perfil político diferente. Continuar a ler…
Marques Mendes pede uma «alternativa de governo»
O ex-presidente do PSD Marques Mendes avisou hoje que Portugal e uma «democracia de qualidade» precisam de uma «alternativa de governo» que seja uma «alternativa de esperança».
A afirmação de Marques Mendes, que se apresentou como um político «em pousio», foi feita num debate sobre a qualidade da democracia, organizado pela distrital de Santarém do PSD, em Rio Maior (Distrito de Santarém), com o ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, e o antigo líder social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa.
(fonte:Dário Digital)
«Uma democracia de qualidade exige governo e alternativa de governo. Ora, o Governo já temos e, na minha opinião, até demais. Este Governo ocupa demasiado poder, controla demasiado a sociedade, condiciona em demasia», afirmou.
Sem nunca se referir em concreto à direcção do PSD de Manuela Ferreira Leite, Mendes disse que «a democracia precisa de uma alternativa de Governo, de ideias, de reformas, de políticas e sobretudo uma alternativa de esperança».
«Capaz de ter outra visão do papel do Estado, de desenvolvimento do País», resumiu, porque para «depressão já basta» a que existe. Continuar a ler…
Passos Coelho acredita que Ferreira Leite tem pouco tempo.
O social-democrata Pedro Passos Coelho considera que todos os militantes do PSD sabem que o partido está com dificuldades em afirmar-se como alternativa e que é «cada vez mais escasso o tempo» para essa afirmação, informa a Lusa.
À margem de um debate sobre a crise internacional organizado pela sua plataforma de reflexão política, «Construir Ideias», terça-feira à noite, Pedro Passos Coelho foi questionado se na sua opinião «os portugueses já perceberam que medidas tomaria o PSD para resolver esta crise».
«Eu penso que se o País estivesse muito ciente do que é que representaria hoje um Governo do PSD não manteria nas sondagens o PS com o nível de indicação de voto que hoje tem», respondeu.
«Esperança» na mudança do PSD
Segundo Passos Coelho, «toda a gente no PSD, a começar na presidente do PSD e a acabar no seu mais modesto militante, sabe que o PSD tem ainda um problema de afirmação em termos de alternativa, isso está dito, também não muda, infelizmente, de um dia para o outro e começa a ser cada vez mais escasso o tempo em que essa mudança se tem de operar». Continuar a ler…
Marcelo Rebelo de Sousa considera ideia de Santana «tonteria absoluta»
Marcelo Rebelo de Sousa considera «uma tonteria absoluta» o cenário de que o presidente da República poderia antecipar as eleições legislativas por causa do conflito com o Governo acerca do estatuto político-administrativo dos Açores.
Santana Lopes tem defendido que o primeiro-ministro, José Sócrates, está a forçar o confronto com Cavaco Silva porque o calendário eleitoral não convém ao Executivo.
Em declarações no domingo à noite, na RTP, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou que esta hipótese não faz sentido.
«Cavaco conhece a situação financeira. Sabe que a estabilidade é fundamental,», disse o professor.
Marcelo Rebelo de Sousa adiantou que não faz sentido o presidente da República «antecipar num momento de crise aguda por uma questão de vingança institucional ou estratégica seis meses as eleições». Continuar a ler…
Marco António Costa diz que o PSD tem um grupo parlamentar desmotivado.
Marco António Costa veio hoje denunciar a ausência de motivação no grupo parlamentar social-democrata chefiado por Paulo Rangel. A declaração do líder do PSD/Porto segue-se ao ataque lançado ontem contra Rangel, a quem sugeriu a demissão após uma ausência massiva de deputados laranjas durante uma votação que poderia ter posto fim ao actual modelo de avaliação dos professores.
Marco António Costa considerou que Paulo Rangel se encontra numa posição fragilizada enquanto líder parlamentar, tendo particularmente em conta a reacção de Manuela Ferreira Leite, que o chamou à sede do partido para ouvir as explicações para a ausência dos 30 deputados.
Um episódio que a líder do partido considerou “inadmissível”. Fruto de “uma certa desarticulação na direcção da bancada”, acrescenta o presidente da Comissão Política Distrital da Invicta.
“Há uma desmotivação no grupo parlamentar, tenho falado com alguns deputados que me transmitem isso, como basta ver pelo empenhamento de poucas pessoas e a falta de envolvimento que existe no grupo parlamentar”, considerou o líder do PSD/Porto em declarações à Lusa, acrescentando que o que aconteceu sexta-feira “foi um acidente de percurso” com a “desarticulação da direcção da bancada” a impedir o PSD de mostrar ao país que é “a única alternativa” ao Governo “desastroso” do PS. Continuar a ler…
Debate ideológico?
Houve um tempo em que Ferreira Leite se queixava de que o PS tinha roubado as bandeiras ao PSD. Eram os primeiros tempos de Sócrates, que prometia as reformas que o PSD não tinha feito. Três anos depois, se alguém se pode queixar de bandeiras roubadas é o PCP e o BE.
No debate quinzenal, o PM bradou contra os mercados com “uma regulação totalmente permissiva, práticas abusivas e uma ganância com proporções históricas”, e apontou o dedo aos “apóstolos do Estado mínimo e do mercado desregulado”. Continuar a ler…
Política à portuguesa.
José Sócrates abriu a época alta da política portuguesa e, mesmo estando a atravessar um momento difícil, por força de três anos de governação, por causa da crise económica e do desgaste político entretanto acumulado, marcou o tom do que vai ser o debate dos próximos meses, com o último orçamento do estado da legislatura e três actos eleitorais.
A rentrée política, admitia-se, começaria com o fim do silêncio de Manuela Ferreira Leite, quebrado há cerca de duas semanas no fim da Universidade de Verão do PSD, mas foi uma espécie de ‘falso arranque’ e não tivesse sido a ‘palavra do presidente’, o primeiro-ministro teria continuado a falar sozinho. O que fica, hoje, do que disse a presidente do PSD, para lá do tom crítico ao Governo? Nada.
Em Guimarães, Sócrates foi, primeiro, um profissional do marketing na forma como organizou o comício e fez passar a sua palavra. Sem ironia: usou, e bem, o melhor que se faz no mundo, leia-se nos Estados Unidos, e isso é, simplesmente, copiar um modelo testado com sucesso. Ora, a substância da mensagem também se faz da forma como ela é passada e, neste caso, mais uma vez, o PS é melhor do que o PSD. Continuar a ler…
Casamentos homossexuais: referendo obrigatório!
Pede-se mais coragem política, principalmente a quem propõe, mas também a quem se opõe: avance-se para Referendo Nacional.
A problemática dos casamentos homossexuais, não sendo de hoje, ganhou recentemente alguma acuidade e centrou parte do debate político, pelo menos de algum sector de esquerda, em especial JS e BE, que pretendem introduzir as chamadas questões “fracturantes” na sociedade portuguesa. Até esse ponto nada a observar, não só porque lhes assiste tal direito, como obviamente têm o mérito de liderar uma agenda política onde certa esquerda se revê, criando mesmo algum embaraço à esquerda do poder, leia-se aos seniores socialistas.
Aliás tudo indica que o PS fará exercer o seu ponto de vista, isto é, não viabilizar tal iniciativa, resta saber se por convicção ideológica ou por tacticismo resultante do calendário pré-eleitoral, aliado à paternidade política de tal iniciativa. No fundo aparentando uma ideia de ruptura ideológica, mas adoptando a tese de só viabilizar as “fracturas ratificantes” e, naturalmente, sujeitas a um calendário político não adverso. Continuar a ler…
O Silêncio Sepulcral de Manuela Ferreira Leite.
Até aqui só tenho um título. Nada original, por sinal. (As malditas rimas não me largam!). Não sei o que vou escrever, por isso, começo por olhar para o título. E o que é que ele me diz? Por enquanto, nada. Mas, olhando com mais atenção, o adjectivo sepulcral tem alguma consistência. Acho que vou agarrar-me a ele e o que será, será.
Os silêncios sepulcrais em matérias políticas não me são muito gratos. Lembram-me o ‘tabu’ do Sr. Cavaco e as múmias da antiga União Soviética. As pessoas tendem a esquecer, mas, na ex-URSS, alguns dirigentes entretanto falecidos (e já mumificados para a eternidade) ainda eram dados como vivos, não se percebia muito bem porquê. Mais um pequeno fetiche a juntar ao outro –mítico- de comer crianças ao pequeno almoço (em sentido literal, pois não consta que a pedofilia infantil fosse do agrado dos senhores d’além ‘cortina de ferro’, pois essas e outras coisas só dão nos capitalistas). Continuar a ler…
Reflectir o PSD.
O Pontal é uma espécie de consagração litúrgica do circunstancial. A mobilização parece mais limitada do que outrora.
A Universidade de Verão do PSD está a polarizar uma inusitada atenção já que a líder partidária não participou nem se fez representar na festa/comício do Pontal (que já não é lá) nem se deslocou ao Chão da Lagoa, onde (Ricardo Costa escreveu-o) seria “a única pessoa sóbria”… A intenção de guardar a sua primeira intervenção na chamada ‘rentrée’ para a Universidade de Verão do PSD, há anos dirigida por Carlos Coelho, dará certamente um tom diferente a essa abertura política. O Pontal é uma espécie de consagração litúrgica do circunstancial. Já não é no Pontal e a mobilização parece mais limitada do que outrora.
Quanto ao significado da abertura da Universidade de Verão ao PS ou melhor a um socialista de cada vez, deveremos relembrar que tem sido uma prática de Carlos Coelho que, em anos anteriores, já teve como convidados na Universidade de Verão do PSD, num ano João Proença e noutro, o autor destas linhas, num debate sobre questões fiscais com Miguel Frasquilho. Julgo que o objectivo é proceder a uma clarificação aprofundada, perante os jovens participantes, entre as posições das duas forças políticas. Claro que o convite ao ex-ministro da presidência e ex-comissário europeu, para além de ser quem é e do seu papel relevante nas novas fronteiras, terá um significado especial. O que baterá certo com a maior relevância que Carlos Coelho, ex-secretário de Estado de Manuela Ferreira Leite, quererá dar, nesta conjuntura, à Universidade de Verão, conjugada com a perda de relevância nacional do Chão da Lagoa e do Pontal que já não o é. Continuar a ler…
A Decepção Ferreira Leite…
Eu não tenho nada contra o silêncio de Manuela Ferreira Leite. O meu problema é mesmo quando ela fala. Ao fim de três meses à frente do PSD, não me lembro de uma única ocasião – uma só, solitária e viuvinha – em que depois de a escutar, a ela ou à sua comissão política, eu tenha pensado para mim mesmo “ena, está bem visto, tem toda a razão”. Jesus Cristo passou 40 dias no deserto antes de iniciar a sua vida pública, mas pelo menos quando regressou tinha alguma coisa de relevante para dizer. Será que Manuela tem? Veja-se o caso do recente e muito badalado pedido de demissão do ministro da Administração Interna, na sequência da onda de crimes violentos. Depois de um longo retiro espiritual, embrenhado em profundíssimas reflexões sobre a Universidade de Verão, o PSD lança um comunicado onde defende, com inigualável originalidade? o afastamento de Rui Pereira do Governo. Uau. Isto é o mesmo que passar cinco anos a estudar engenharia hidráulica só para aprender a regar batatas.
Estão a brincar connosco, certo? Um partido de oposição, sobretudo numa altura em que alegadamente aposta na “seriedade” e na recusa a todo o custo da “demagogia”, não pode vir a público exigir a demissão de um ministro porque uma carrinha da Prosegur foi assaltada à bomba e um dono de uma joalharia morto a tiro. Se criticar políticas é o mesmo que pedir a cabeça de ministros, então deixem estar que eu também sei liderar a oposição. Que o Bloco de Esquerda o faça, tudo bem. Que o CDS o faça, percebe-se. Que o Partido Comunista o faça, ainda se aceita. Mas o PSD? Faria algum sentido que o responsável máximo das polícias em Portugal tivesse o seu lugar dependente do nível de actividade de ladrões e pistoleiros? Isso não é uma atitude séria. E, sobretudo, é uma atitude profundamente populista – como populista tem sido o discurso sobre o papão das obras públicas. Continuar a ler…
Boas férias, Drª Manuela.
Não é fácil ser dirigente do PSD. Recém-chegada à liderança do partido, abençoada pelos barões e respeitavelmente acolhida pelos adversários exteriores , Manuela Ferreira Leite falou pouco até agora. Mas não foi feliz. O que se guarda da sua entrevista na TVI é a frase “o país não tem dinheiro para nada”, usada contra Sócrates mas com um efeito boomerang terrível, porque dá do país uma imagem de miséria total e de si própria um retrato de incapacidade para inverter a situação.
Acresce que, assim como Menezes teve de confiar a Santana a condução dos trabalhos parlamentares e, pior do que isso, a sua própria representação nos confrontos com o primeiro-ministro, Ferreira Leite também é representada por terceiros nesse confronto. E os adversários de Manuela, os que ainda não optaram pela crítica aberta, já estão a lançar umas farpas ao líder parlamentar, argumentando que Paulo Rangel esteve mal no discurso do estado da Nação.
Luís Filipe Menezes, falando das obras que quer pôr em marcha em Gaia, deu apoio que chegue às obras que o Governo vai pôr a andar. Ele cumpriu a promessa de não falar do partido mas o que disse das obras públicas deve ter deixado Manuela Ferreira Leite a arder. Continuar a ler…
Ai os silêncios…
“O silêncio da líder do PSD é muito mais ruidoso do que o barulho dos profissionais da conversa fiada.”
Anda muita gente agitada e preocupada com o silêncio de Manuela Ferreira Leite. É verdade que os Jogos Olímpicos de Pequim não têm corrido nada bem para os atletas do sítio. Pelo menos até agora. É verdade que não acontecem todos os dias assaltos a bancos com as forças de segurança a mostrarem que sabem o que fazem e que não têm medo do que fazem. É verdade que a chamada época de incêndios anda muito por baixo. Por causa do mau tempo e também, verdade se diga, pela maior eficácia e profissionalismo das forças que os combatem. É verdade que o futebol a sério ainda não começou, com jogos às sextas, sábados, domingos, segundas, terças, quartas e quintas. É verdade que o sítio é o que é, manhoso, hipócrita, pobre, triste, deprimido e, claro, cada vez mais mal frequentado. Mas apesar disto tudo não se percebe o desespero de muitos crânios em relação ao silêncio da líder do PSD. Continuar a ler…
O PSD de Ferreira Leite.
A querela sobre a eventual privatização da Caixa Geral de Depósitos tende a baralhar ou até a envenenar o debate público interno do PSD.
Interrogava-me (no artigo “A liderança do PSD”, publicado há duas semanas): “Será que a imagem de figura do Estado de Ferreira Leite e o seu perfil conservador lhe alargarão a base eleitoral? E para que lado?” Uma resposta parcial poderá começar a ser lida, tendo em conta a crise dos populares, nomeadamente no distrito de Setúbal e até os recentes comentários do professor Narana Coissoró. Quem será o melhor líder para um eleitor conservador, em termos de conteúdo das propostas e de estilo político: Paulo Portas ou a nova líder do PSD? Aparentemente, a ligeira inflexão nas sondagens poderá também corresponder ao retorno de sectores de eleitores habituais do PSD que não se reconheciam na anterior liderança do partido que costumavam apoiar.
A querela sobre a eventual privatização da Caixa Geral de Depósitos tende a baralhar ou até a envenenar o debate público interno do PSD. As últimas declarações de António Borges sobre o assunto ilustram bem as divergências internas ao partido “laranja”, o que envolve uma diferente compreensão do papel da Caixa Geral dos Depósitos no sistema financeiro português. Continuar a ler…