Presidente do partido completa cem dias de liderança.
Cem dias após o congresso que a entronizou como a primeira mulher a liderar o PSD, Manuela Ferreira Leite enfrenta o teste do Orçamento do Estado para 2009, desdobra-se em contactos com as estruturas locais, prepara o calendário eleitoral e tem ainda de lidar com as crÃticos internos, que pedem um congresso extraordinário, temático ou mesmo electivo.
A estratégia tem sido a de não comentar ou de ignorar as crÃticas e parece estar a resultar. De facto, além de Alberto João Jardim e LuÃs Filipe Menezes apenas Marco António Costa, lÃder da maior distrital do PaÃs, admite a possibilidade de haver uma reunião magna extraordinária. Santana Lopes, seu ex-adversário optou por avançar com um acordo de trabalho com a lÃder. Enquanto Pedro Passos Coelho criou uma plataforma de reflexão.
Figuras como Ângelo Correia, apoiante de Passos Coelho, são contra à realização de um congresso extraordinário. “A liderança deve ir até ao fim”, afirmou ontem o social-democrata ao CM.
Sobre o congresso extraordinário, até Marcelo Rebelo de Sousa o classificou de “enorme absurdo”.
As bandeiras do partido estão escolhidas, a crise económica, o voto dos emigrantes, as obras públicas e a segurança. Manuela Ferreira Leite não vai desistir de travar o PS de alterar a lei para pôr fim ao voto por correspondência dos emigrantes, mas a crise económica é outro dos temas eleitos. No sábado, a lÃder desafiou o Governo a aprovar a proposta do PSD para que o pagamento do IVA pelas empresas seja feito no momento do pagamento.
A agitar as águas dos últimos dias, o livro ‘Mudar de Vida’, de Marques Mendes, levou Manuela Ferreira Leite a felicitar a sua valiosa ajuda por mensagem, uma vez que esteve ausente do lançamento da obra.
“ORÇAMENTO É MOMENTO DA VERDADE” (Marco António Costa, LÃder distrital do PSD-Porto)
Correio da Manhã – O PSD comportaria mais um congresso antes das eleições de 2009?
Marco António Costa – Seria desejável que existisse um congresso no primeiro trimestre de 2009. O desejável é que fosse um congresso de afirmação do partido, de aprovação de uma estratégia polÃtica e de um conjunto de iniciativas relativamente ao ano eleitoral.
– Um congresso electivo?
– Só o tempo nos dará essa resposta em função da capacidade de afirmação que esta direcção do PSD consiga ter até ao final do ano.
– Não é Manuela Ferreira Leite quem deve ir a votos?
– O teste crucial é o Orçamento do Estado para 2009. Julgo que ninguém no PSD perceberá se esta direcção nacional, que está tão recheada de figuras tão ilustres, for incapaz de apresentar uma proposta de Orçamento alternativa que demonstre de forma clara aquilo que é o caminho, a meu ver mal, que este Governo tem traçado para o PaÃs. E que caminho trilharia perante um Governo PSD. Portanto, para mim, o momento da verdade é o Orçamento do Estado.
(fonte:Correio da Manhã)
Concordo com o Drº Marco António Costa. Sem dúvida, que o Orçamento do Estado vai ser um momento decisivo para o futuro do PSD. Esta é uma área em que aparentemente o PSD possui uma equipa técnica mais qualificada do que o PS. Agora, é preciso demonstrar a sua mais valia.
No meu entendimento a proposta alternativa de Orçamento do Estado a apresentar pelo PSD deve incluir as grandes directrizes e algumas medidas concretas em vários sectores chave de governação do paÃs. Assim, e atendendo à s preocupações manifestadas pelo PSD no decorrer das últimas semanas, devem ser apresentadas as seguintes sugestões:
Economia: Apoio aos mais afectados pela actual crise económica (classe média) e alteração do actual regime do IVA, que se traduz num benefÃcio para os incumpridores. Existem muitas outras medidas, mas estas duas são fundamentais.
Obras Públicas: Contenção no investimento de construção de novas estradas, desistência no investimento de construção do TGV e apoio ao projecto de construção do novo aeroporto de Lisboa. Apesar de não fazer parte do orçamento, seria muito importante garantir um calendário para a realização deste investimento e um mecanismo de auditoria que permitisse evitar desvios em termos financeiros.
Segurança: Maior investimento nas forças de segurança. Para além disso, proposta de alteração do actual quadro legislativo, de forma a simplificar e tornar mais ágil o sistemas judicial em Portugal. A problemática em torno da Segurança e Justiça é também uma matéria fundamental, em que não se pode considerar uma sem a outra.